CARTA ABERTA AO EXMO. SR. SECRETÁRIO DE ESTADO DAS FLORESTAS E DESENVOLVIMENTO FLORESTAL
Exmo. Sr. Secretário de Estado
Na sequência da publicação da Portaria 556/2010, onde se oficializa o adiamento da abertura da caça às rolas bravas em todo o País para o dia 22 de Agosto, movido por um profundo sentimento de indignação, não posso deixar de endereçar a Vª Exª esta missiva, esperando que a mesma contribua para o melhor entendimento das consequências da acção descrita.
Sobre a sustentação da decisão:
1. Tanto quanto foi dado a conhecer nos meios de divulgação oficial, a decisão de adiamento não está sustentada em qualquer estudo efectuado às populações nidificantes de Rola-Comum, versando, nomeadamente, o seu estado de desenvolvimento geral, factor que poderia influenciar a data de abertura, caso as criações estivessem “atrasadas”.
Na sequência da publicação da Portaria 556/2010, onde se oficializa o adiamento da abertura da caça às rolas bravas em todo o País para o dia 22 de Agosto, movido por um profundo sentimento de indignação, não posso deixar de endereçar a Vª Exª esta missiva, esperando que a mesma contribua para o melhor entendimento das consequências da acção descrita.
Sobre a sustentação da decisão:
1. Tanto quanto foi dado a conhecer nos meios de divulgação oficial, a decisão de adiamento não está sustentada em qualquer estudo efectuado às populações nidificantes de Rola-Comum, versando, nomeadamente, o seu estado de desenvolvimento geral, factor que poderia influenciar a data de abertura, caso as criações estivessem “atrasadas”.
2. Tanto quanto foi dado a conhecer nos meios de divulgação oficial, a decisão de adiamento não está sustentada em qualquer estudo sobre o estado de maturação das cearas que poderia, mais uma vez, afectar o desenvolvimento da espécie, aconselhando uma alteração.
Sobre a decisão em si:
3. Esta afecta negativamente os caçadores que exercem o acto venatório nos distritos de Aveiro, Braga, Bragança, Coimbra, Guarda, Leiria, Porto, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu, áreas onde as Rolas iniciam o trajecto migratório para Sul em meados de Agosto, diminuindo significativamente o número possível de jornadas de caça (eu diria uma diminuição de 50% - 15 e 19 de Agosto) e a expectativa sobre o número de peças abatidas.
4. Esta beneficia as zonas de caça da zona sul do país (particularmente o Alentejo) que vêem engrossar o número potencial de efectivos de Rola-Comum em trânsito, melhorando muito as condições de promoção para venda de jornadas de caça em áreas ordenadas.
Sobre os efeitos:
5. A alteração afecta cerca de 83.500 caçadores. Se assumirmos que cada caçador gastaria cerca de €50,00 na jornada de abertura, então significa que a Região Norte se vê privada de um “investimento” de cerca de €4.175.000,00. Na jornada de 19 de Agosto, assumindo que apenas iriam 20% desses mesmos caçadores, então estaríamos a falar de mais €835.000,00. Tudo somado, perfaz uma verba de €5.010.000,00. Não nos esqueçamos que são 2 jornadas de caça que não são realizadas!
6. Esta alteração ao calendário venatório implicaria uma modificação generalizada dos Plano Anuais de Exploração de todas as Zonas de Caça, com as necessárias republicações de editais, custos associados, etc. Curiosamente esta situação foi salvaguardada, havendo uma comunicação da Autoridade Florestal Nacional que notícia estarem «… automaticamente alterados no que respeita ao período venatório da Rola-Comum».
Para alguém que caça há duas décadas, esperando ansiosamente pela chegada do dia 15 de Agosto de cada ano para cumprir com o ritual da abertura, compreenderá Vª Exª que a decisão tomada é dificil de aceitar. Vª Exª saberá o que a sustenta.
Grato pela atenção, apresento os mais respeitosos cumprimentos.
Miguel Cabral de Almeida Summavielle
Portador co C.C. nº 09614870.